Agora é queijo e cerveja! PDF Imprimir E-mail
Seg, 12 de Abril de 2010 09:11


Conforme postado no nosso Blog (Lançamento Brooklyn), a Academia da Cerveja esteve presente na harmonização realizada em São Paulo, comandada pelo renomado Mestre Cervejeiro Garrett Oliver. E trouxe na bagagem as “Brooklyn” para você. A reportagem abaixo apresenta mais detalhes sobre este evento.

“Ao contrário da combinação de queijo com vinho, na qual os sabores geralmente estão em contraste, a boa harmonização entre queijo e cerveja é pautada pela harmonia, quando os dois ficam ainda melhor juntos do que separados. Um acentua o que outro tem de bom. Por exemplo: um filé alto. Geralmente seria acompanhado por um tinto encorpado, mais tânico, que abafaria o sabor do grelhado. Eu recomendaria uma cerveja com toque maltado, caramelado, que realçaria a suculência e o tostado do exterior da carne”

A frase é de Garrett Oliver, um dos maiores expert em cervejas do mundo e mestre-cervejeiro da Brooklyn Brewery, que começa a ser vendida no Brasil através da importadora BrazilWays. Ontem, no L´entrecote de Paris, rolou um jantar delicioso harmonizando o menu do restaurante e cervejas– mas, mais do que isso, harmonizando queijo e cervejas, a paixão de Garrett. Ele, simpático e super falante,  deu uma aula prática e bem divertida sobre essa que, segundo ele, é uma grande tendência nos EUA (e que começa a crescer fora de lá).  Falando nisso, o L´entrecote terá,  todas segundas e terças, um menu de harmonização de quatro tipos de cerveja com sua salada, entrecote, prato de queijos e sobremesa por R$ 110/pessoa. Ontem os rótulos foram todos, claro, da americana Brooklyn: a Lager, a Brown Ale, a East India Pale Ale (média de R$ 10, cada, quando vendida avulsa) e a amazing Local 1 (média de R$ 49).

Mas porque Garrett afirma com tanta certeza que cerveja vai melhor com queijo do que o tradicional vinho? Primeiro: o gás presente nela limpa o paladar, tirando a gordura da língua a cada gole, deixando-a ”tinindo” para o próximo pedaço. Segundo: “cerveja e queijo vem do mesmo lugar: vacas se alimentam de grama e produzem queijo; malte é, basicamente, um tipo de grama. Então, eles são, em essência, parentes. Temo que a uva não tenha nada a ver com isso…”, diz. Eu tendo a concordar com Garrett: cerveja tem a mesma complexidade de vinho, envolve profissionais tão qualificados na produção, tem uma gama de aromas e sabores até mais vasta— pena que, no Brasil, ainda, é vista como bebida “de pobre”, não merecendo estar à mesa de grandes restaurantes. Pena, porque isso não só é ignorância, como é um atentado ao paladar do cliente.

Para facilitar nossa introdução ao mundo da harmonização de queijo e cerveja, fiz um pequeno manual (com a ajuda de Garrett). Pena que a maior parte dos queijos citados por ele como seus preferidos não são vendidos no Brasil– o governo impede a importação e fabricação de queijos não-pasteurizados, o que reduz a gama de milhares de tipos para apenas algumas dezenas. Sem dizer que alguns dos melhores do mundo nem passam perto das nossas prateleiras. Ah, tantas coisas a serem mudadas por aqui ainda…

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